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Baixa testosterona em homens: é sempre necessário fazer reposição?

É comum no consultório ouvir relatos de homens, especialmente acima dos 40 anos, com a seguinte dúvida: “Um amigo, colega ou familiar começou a usar testosterona e disse que se sentiu muito melhor. Será que eu também não preciso?”

O primeiro passo é entender quais são os possíveis sintomas da deficiência de testosterona em homens, condição chamada de hipogonadismo masculino. Esses sintomas podem variar, mas frequentemente incluem cansaço, fadiga, diminuição da libido, dificuldade para ganhar massa muscular, redução das ereções matinais espontâneas e alterações de humor. Em alguns casos, podem ocorrer também disfunção erétil, redução dos pelos corporais e diminuição da massa óssea. Esses sintomas não são exclusivos da baixa testosterona, podendo estar presentes em diversas outras condições de saúde. O diagnóstico exige cuidado e deve ser confirmado por exames laboratoriais repetidos em mais de uma ocasião.

Quando a deficiência de testosterona é confirmada, o passo seguinte é investigar sua origem. Entre as possíveis causas estão problemas testiculares (como lesões, infecções ou doenças genéticas), alterações na hipófise ou no hipotálamo, uso de algumas medicações e consumo excessivo de álcool.

Quero destacar nesse texto uma causa bastante frequente e muitas vezes pouco compreendida: a baixa testosterona associada a alterações metabólicas, como obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica (acúmulo de gordura abdominal, alterações do colesterol/triglicerídeos, pressão alta e alterações da glicemia). Esses distúrbios podem levar a um desequilíbrio hormonal que afeta não apenas a função sexual, mas a saúde geral do homem.

Na deficiência de testosterona por causas metabólicas, muitas vezes o foco inicial do tratamento é corrigir as causas, ao invés de iniciar imediatamente a reposição de testosterona. Mudanças no estilo de vida – como alimentação mais saudável, prática regular de atividade física e perda de peso – podem trazer benefícios importantes. Ao longo do acompanhamento é comum observarmos uma melhora progressiva dos parâmetros de saúde: redução de peso, pressão arterial, glicemia e triglicerídeos, ao mesmo tempo em que os níveis de testosterona aumentam gradualmente. Esses ganhos se refletem em mais disposição, bem-estar e qualidade de vida. O corpo sabe o caminho, só precisamos ajudá- lo propiciando as condições adequadas!

Em alguns casos, mesmo com mudanças no estilo de vida, pode ser indicada reposição de testosterona, inclusive nas causas metabólicas. Essa decisão deve sempre ser individualizada, baseada em avaliação clínica criteriosa e acompanhamento médico adequado. Isso permite evitar o uso indiscriminado da testosterona como uma solução simplista, que nem sempre corresponde à melhor estratégia para a saúde.


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